Prevenção

Acompanhamento pós-cirúrgico para prevenção
de novo quelóide ou cicatriz hipertrófica.

O paciente com quelóide, ou cicatriz hipertrófica, deve saber antes de uma intervenção que a parte técnica da operação, para a maioria dos cirurgiões plásticos, não apresenta maior dificuldade. Por isso, o sucesso definitivo da intervenção depende mais das avaliações periódicas para acompanhamento da evolução da nova cicatriz, do que da operação propriamente dita. Como o quelóide pode levar vários meses para se manifestar depois da operação, o respeito dos pacientes às marcações das consultas no pós-operatório é obrigatório.

Mesmo antes do quelóide ou cicatriz hipertrófica mostrar algum sinal de seu eventual reaparecimento, o Prof. Dr. Bernardo Hochman orientará táticas ou procedimentos de prevenção. No caso de um precoce sinal de retorno dessas cicatrizes patológicas, serão aplicados métodos de tratamento, conforme o caso, pois geralmente é mais fácil regredir um quelóide no início de seu crescimento, do que em fase mais adiantada de crescimento.

 

Bandagem e imobilização da cicatriz (“Microporagem”)

Para a prevenção de cicatrizes hipertróficas e alargadas, pode-se minimizar a tensão na sutura cutânea por meio da aplicação de uma fita adesiva microporosa como curativo (“microporagem”). A fita adesiva assim aplicada resulta numa relativa imobilização cutânea regional, e o conseqüente “repouso” da cicatriz sob a fita, pela minimização da tração nas margens de sutura. Ainda, se a região da sutura não estiver sujeita a forte ação muscular, pode-se aplicar apenas uma fita adesiva ao longo do trajeto da cicatriz (figura 1); se a tração dos músculos regionais for intensa, aplica-se várias fitas perpendiculares ao trajeto da cicatriz (figura 2)

 


Figura 1 - Esquema de fixação das margens de uma cicatriz de mastoplastia redutora, com uso de fita adesiva microporosa (“microporagem”), para prevenção de cicatrizes hipertróficas ou alargadas.

 

 

 

Figura 2 - Esquema de “microporagem” para prevenção de cicatrizes hipertróficas ou alargadas em região sujeita a intensa ação muscular (no caso, a perna).


Os curativos protetores e imobilizadores com fita microporosa devem ser utilizados o mais precocemente possível, e pelo período mínimo de 1 à 3 meses ou mais, conforme orientação médica.

 



Lâmina de silicone

A lâmina ou placa de silicone (figura 3 a 5) também é utilizada na prevenção de retorno do quelóide ou cicatriz hipertrófica. Preventivamente, devem ser utilizadas sobre cicatrizes recentes de pacientes nos quais se sabe que apresentam predisposição em desenvolver quelóide ou cicatrizes hipertróficas, ou sobre a cicatriz de retirada de um quelóide, por 12 a 16 horas por dia, durante um período de 4 a 6 meses, ou mais, conforme orientação médica. Existem disponíveis lâminas nos formatos para cada tipo de cicatriz conforme o tipo de operação.

 

Figura 3 - Modelos de lâmina de silicone para prevenção de cicatriz hipertrófica e/ou quelóide em cirurgia plástica.

 

 

 

Figura 4 – Aplicação de lâmina de silicone autoadesiva em cicatriz de operação plástica de redução de mamas (mastoplastia redutora) para prevenir quelóide.

 

 

 

Figura 5 - Aplicação de lâmina de silicone autoadesiva em cicatriz de plástica de abdome (abdominoplastia) para prevenir quelóide.



Preconiza-se o uso mais precoce da lâmina de silicone, inclusive nos primeiros dias de pós-operatório, para prevenir o quelóide ou a cicatriz hipertrófica.




Pressoterapia

Em termos de prevenção (profilaxia) merece destaque a compressão mecânica e elástica de uma ferida operatória recente em paciente com tendência a desenvolver quelóide ou cicatriz hipertrófica. A compressão deve ser contínua, e pode ser exercida por vestes elásticas excedendo 24 mm/Hg, a qual reorientando os feixes de fibras colágenas auxilia na contensão de expansão do quelóide e de cicatrizes hipertróficas, assim como de cicatrizes retráteis após queimaduras. A compressão deve ser iniciada assim que o cirurgião afaste o risco de qualquer complicação de causa vascular, pela compressão, na região da operação realizada. Pode ser realizada por meio de uma malha na forma de roupa (figura 6), ou por dispositivo pressórico que comprima apenas a região da cicatriz, especialmente desenvolvido pela Clínica Prof. Dr. Bernardo Hochman para cada paciente, e que pode propiciar maior conforto.

Figura 6 – Malha elástica compressiva na forma de roupa. É utilizada para prevenção de retorno de quelóide na região torácica, que apresenta maior risco.



A compressão elástica deve ser realizada o mais precoce possível, principalmente na revisão cirúrgica de cicatrizes em articulações, e em pacientes que a causa da cicatriz foi por queimadura.



Eletroterapia / Laserterapia

A Clínica Prof. Dr. Bernardo Hochman, com a equipe de fisioterapeutas, disponibiliza infra-estrutura tecnológica de aplicação de correntes elétricas específicas e laser para a prevenção do quelóide, ou cicatriz hipertrófica (figura 7 a 9). No pós-operatório uma série de aplicações de correntes elétricas, em associação com Laser específico, direcionam para que o processo cicatricial transcorra de forma a que não retorne o quelóide ou a cicatriz hipertrófica. Globalmente, além de ocorrer um ganho importante na qualidade da cicatriz, nota-se também uma satisfatória melhoria na qualidade de vida dos pacientes.





Figura 7 - Aplicação de laser preventivo em cicatriz no queixo (mento).

 




Figura 8 - Aplicação de laser para prevenção de cicatriz hipertrófica no antebraço.

 




Figura 9 - Aplicação de laser no auxilio para prevenção do retorno de quelóide em tórax.